aproximação à dor
28/ 6/ 2010
Quando meu avô chega perto de morrer, é assim bem de perto, e ele sempre volta depois, mas volta um pouco menos, e um tanto longe, e alguma coisa ele deixa para sempre do outro lado, para morrer. Minha mãe me pede apenas a mão, para apertar, para caber tão exata na sua mão, e me pede o silêncio partilhado e forte de apertar. Quando chega bem perto, também de perto as mãos se buscam, e sabem da dor como as plantas sabem do sol, e assim mesmo buscam, e é o sol o que minha mãe sente nas mãos como se fosse, e é, desajeitado/ perto/ invisível, do tamanho exato da sua mão,
o meu amor.
seus escritos são coisas lindas, juliana. :)
que lindo Juliana, tocou fundo mesmo, fiquei emocionado com esse seu texto, parabéns!
beijo
G
Me ajudou a chorar o que faltava. Obrigada. Adriana