fábula
15/ 4/ 2010
eu queria contar a história de um menino e de uma menina, e no meio um rio correndo, e de quando eles esvaziaram o rio com as mãos em concha, até sangrarem os dedos, e andaram por dias e dias, no leito seco do rio, para no meio se encontrarem, no leito morto do rio, nas pedras do fundo, no seu amor sem centro, e molharem de barro os pés, para no barro lavar
o amor
e no resto de rio nos dedos lavá-lo, o amor que era sempre sujo do rio que mataram, mas nas mãos persistia, e depois nos olhos, e dentro, o rio que persistia, na limpa doçura que buscavam, até inventarem a chuva, e de chuva lavarem o amor, e por dias e dias seguirem a chuva, até novamente ir se formando o rio, e a cada dia os dois devolverem ao rio um pedaço, e com tristeza devolverem, e com alívio, até de novo correr o rio no meio, e lavar-lhes as mãos, os olhos, e dentro, e violento abrir uma fenda, ao longo do leito que não seguiram, em direção à porta que jamais abriram,
para o mar.
Lindo texto, parabéns. Me lembrou um pouco o Osman Lins.
bem bonito! Gostei!
Olá, gostei muito desse seu “cantinho”, nossa tem tantas coisas lindas aqui, parabéns!
um abraço,
Geraldo.
P.S ah cheguei aqui por meio da comunidade da Alejandra Pizarnik no orkut ;)