Per ardua
9/ 11/ 2009
non est ad astra mollis e terris via*
per aspera ad astra**
[Sêneca]
opta ardua astra sequi***
[Virgílio]
Ternura, pá de terra que bato com raiva
sobre o peito, para que outro cresça, coração
e desterrado, pela raiz e pelo áspero, de mim para sempre
arrancado, e por um rio cortado, coração
o rio que arranho com os dedos o peito a pele viva
sobre a pedra bruta, para que nascente exista, à força,
e pequena e frágil e no peito lavrado, coração, para que corra
terra adentro, e para sempre seja
negrume
só
eu bato, coração, para que seja aqui e para sempre,
e seja o mais sem
luz, o mais sem
ternura, que pequena frágil escura, coração
e em carne e viva,
seja aqui e para sempre e fundo
o
meu
céu.
* [não há caminho fácil da terra até as estrelas]
** [pelo áspero, até as estrelas - isso ainda vai virar tatuagem em mim ;)]
*** [escolhe o árduo a que se seguem as estrelas]