“Como se dá isso
De não sentir nada

E saber
Por isso mesmo

Que é dor

E oferecer essa matéria
De que é feita a ausência

Como se fosse uma jóia
Lapidada

Para nada

Um anel de casamento
Ao avesso

Como acontece isso
De tentar mover as palavras

E elas
Ao menor sinal da fala

Se tornarem tão pesadas”

[Poema do Everton, que é som pesado, como o mar, enchendo os ouvidos]

:)

Veneno

11/ 7/ 2009

“- Tens medo de fazer amor comigo? / – Tenho – respondeu ele. / – Por eu ser preta? / – Tu não és preta. / – Aqui, sou. / – Não, não é por seres preta que eu tenho medo. / – Tens medo que eu esteja doente… / – Sei prevenir-me. / – É porquê, então?/

 - Tenho medo de não regressar. Não regressar de ti.”

[Mia Couto. "Venenos de Deus, remédios do Diabo." Roubado do Vitor]

:)

Pelo caminho

6/ 7/ 2009

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