Sobre cordeiros
25/ 11/ 2007
Esperávamos a fera. A pata sangrando, os olhos no chão, pisados: Dá-me de beber. Sob a chuva, a fera chegou e partiu abruptamente. Alguém disse que ela não confiara em nós. Tornamo-nos mais solenes. Em silêncio, a fera voltou, bebeu conosco, deixou-se levar na ponta da espada. Para as muitas águas, com a pureza de seus olhos em nossa presença. No rastro de sal, nós lavamos as mãos, deixamos escorrer a água vermelha, os olhos, a pedra do peito. Não sorrimos: nós nos tornamos melhores.