Dá licença

29/ 3/ 2007

Acabou. Perdi um pedaço, tem tempo. E nem morri. Prefiro escrever sobre o moço de mãos feridas. A menina contendo nas mãos o gesto de despedida, pela metade, na plataforma do ônibus. A Dona Maria segurando pelo braço o filho doente, subindo a rua, eu atrás. Cada um assim, de mãos dadas com a própria dor. Dá licença: a juliana prefere o muito pequeno, o lugar comum, o feijão com arroz. Se perguntarem de política ou do mestrado, muito provavelmente ela contará, de uma maneira toda atrapalhada, a história do filhote de passarinho que caiu na varanda, os pais revoando ao redor, ele piando tanto! e tentando levantar vôo, até morrer quieto na chuva. No fundo, todas as histórias tristes no mundo são só essa. Quem convive sabe, a juliana nem fala bonito. Fala baixinho, os olhos no chão.

2 Respostas para “Dá licença”

  1. eassis disse

    aprecio também os silêncios, ainda que eu faça um calor exagerado em blog alheio.
    :)

  2. ane aguirre disse

    Você continua fazendo poesia. Mudou a forma, mas lá dentro escorre. Porque é assim o que nasce em estado líquido. Eu gosto.

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