Pelo caminho

6/ 7/ 2009

bambi

No apartamento da Geni, com o Bambi :)

bambi2

La Triana!

23/ 6/ 2009

Pelo caminho

18/ 6/ 2009

suenia

Lenha

15/ 6/ 2009

Eu precisei usar o corpo inteiro. Foi pesado e físico e me deixou exausta, até doerem-me pernas e braços e rebentar-me o corpo de dor violenta e nova.  Durante um tempo, eles se deram as mãos e permaneceram dolorosamente ligados. Comeram do pão temperado de tristeza. Ficaram calados. Dormiram exaustos, com suas cabeças se tocando, como cães. Jamais serei tão jovem novamente com outra pessoa. Agora tenho um lugar, em alguma parte da terra, ao qual não posso nunca mais voltar. Por isso, precisei usar o corpo inteiro, e muitas vezes, e sem piedade, e com estranhos, até rebentar. Algo foi para sempre esmagado e algo tornou-se para sempre vivo. É na pele que conservo, por baixo, protegido contra todos, um resto do calor do dia, iluminando por dentro. Às vezes, eu me deixo ficar nesse lugar estreito e quente e presto muita atenção: ali, quieta, estou tão jovem, tão em silêncio. Não há gritos. Nada foi esmagado ainda. O que a pele conserva não foi sequer tocado. Nesse lugar estreito e quente, estou no meio do meu amor. E parece ser tão cedo.

“Quando Charles comentava que mais de uma vez fora espancado por esses homens, ou contava como eles haviam invadido sua pequena casa e rasgado os panfletos, lhe dado safanões em frente da mulher e dos filhos, e nós ficávamos indignados, ele nos achava engraçados, como crianças bem protegidas a quem se conta as maldades do mundo. “É, de fato, conosco as coisas são assim”, ele comentava, paciente, sorridente.”

[Doris Lessing, Debaixo da minha pele - primeiro volume de sua autobiografia]

Véu

23/ 5/ 2009

Foi o acaso que me deu o nome que tenho. Uma menina passou correndo na praça, esbarrou em minha mãe, alguém gritou atrás: Juliana! Essa menina é meu ingresso doloroso na alegria. Ela me esbarra direto no peito, violenta, quente, com dor: nós nos enfrentamos. É pela carne que Juliana me invade, bate portas e janelas, rebenta-me os vidros. Depois senta-se, estende-me as mãos. Minha dor, me dá a mão. Juliana é maré irrefreada e sem ondas, subindo obstinada e lenta, de um jeito calmo e mau. Com dor, toda água escorre de mim e escorre para a alegria, esse caminho escuro.

Às vezes, quero esquecer Juliana, a menina correndo numa praça. Não a chamem, não gritem mais esse nome. Espero que a vegetação em torno cresça depressa, depressa, com dor, até que me trinquem os ossos, como um destino. Até que me invada o jardim de que preciso. Um jardim enorme. Então, sigo por ele, há uma porta no meio, entro e digo: quero flores. Juliana sai comigo, mostra o jardim enorme e diz: quais? Eu escolho: essas vermelhas. É um caminho calmo e mau. Dentro, as flores vão sendo arrancadas uma a uma – com as mãos. Essas com os espinhos. Não desvio o olhar, nem afasto o rosto. Quero todas. Por alegria, como um destino, escorre de mim, com dor, a menina correndo na praça: estátua derrubada de mim. Não a chamem. Nós nos enfrentamos, pela carne, no sol inclemente, cegas. Nos meus olhos, Juliana se quebra, como a onda sobre uma pedra ou o caule na palma da mão. Me dá a mão, minha dor. É quente e violento e direto no peito. Não afasto meu rosto. Vejo meu sangue escorrer calmo e mau, como se fosse o sangue doente de um inimigo.

Vai-te de mim

1/ 5/ 2009

[Show da Fabiana Cozza - Eu fui! :P ]

Amor e ponto.

20/ 4/ 2009

“Houve um tempo em que as certezas fugiam dele – elas conseguiam, ao contrário de mim. Foi um tempo nebuloso em que às vezes chovia, às vezes fazia sol. Mas, independente do clima, a gente se encontrava. Atravessávamos noites e noites lado a lado, acordando mais juntos ou não. Eu me lembro de muitas em que ele adormecia antes de mim. Abraçada ao seu corpo, eu dizia para o silêncio: “Amor”. Era solitário. Ficávamos eu e o que não cabia em mim, procurando um lugar que pudesse nos abrigar. Dias e noites se repetiram e o amor se manifestava, seguidas vezes, do coração para a boca, sem enfrentar grandes distâncias. Era um segredo meu comigo. Até um dia em que fechei os olhos antes dele. “Amor.” – ouvi num susto. Finalmente ele havia parado de lutar. Não mais se debatia. Num sorriso, se entregava ao que era feliz. Eu chorava. Era alegria demais. Algum tempo depois, já era corriqueiro. Mais algum tempo, você. Que antes era só um outro desejo escondido – também nele. O verbo se fez carne, como ele mesmo disse um dia. (Ainda bem que deu tempo.) A palavra amor seguida de um ponto final é para poucas pessoas e poucos momentos. Para poucos porque é muito.”

[Texto da Cris Guerra  Para Francisco - porque a Cris tem essa pressa linda de escrever para o filho (o Francisco) sobre o pai que ele perdeu antes mesmo de nascer]

“É vista quando há vento e grande vaga/ Ela faz o ninho no rolar da fúria / E voa firme e certa como bala / As suas asas empresta à tempestade / Quando leões do mar rugem nas grutas / Sobre os abismos passa e vai em frente / Ela não busca a rocha, o cabo, o cais / Mas faz da insegurança sua força / E do risco de morrer, seu alimento /Por isso me parece imagem justa / Para quem vive e canta

no mau tempo.”

:)

[Sophia de Mello Breyner]

Astrônomos capturam estrela cadente.

:)

[Aqui ó: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u540834.shtml]